Esperança e segurança



2019-11-02
De modo sintético: há um inexaurível fundo de ignorância sobre o qual nos baseamos e isto é tudo o que temos para nos basear. Mas tenhamos esperança de que existe uma coisa, tal como uma mente ou uma personalidade ou um carácter, e que nós não estejamos apenas falando sobre coisa nenhuma. 
Bion

O trabalho analítico requer, de forma muito clara, uma abertura cabal ao desconhecido. Segundo Bion, o analista precisa de duas atitudes básicas para poder estar com o seu paciente: paciência e esperança. Paciência, para conseguir tolerar a dispersão, ignorância e o modo como sente o que o paciente lhe traz; e a segurança de que vai descobrir com ele aquilo que verdadeiramente interessa. 

Não há ferramentas, respostas feitas, medidas que encaixem em todos. Cada um de nós vive no seu modo subjectivo e é partindo dessa subjetividade que a análise tem de ser acontecer. Como analistas, temos de saber aguentar o vazio, o desconhecido, o sofrimento e tudo o que o paciente nos traz. E esperar, como dizia Hamlet, "por desnorteio, encontrar-se o Norte."


Pintura: "Colosso", de Goya